A PEDAGOGIA HISTÓRICO-CRÍTICA E A DISPUTA IDEOLÓGICA DO ESPAÇO ESCOLAR: O SABER ELABORADO COMO ARMA DA REVOLUÇÃO SOCIALISTA

por Roberto Eduardo Albino Brandão*

 

Contra a miséria pedagógica do capital, a perseguição política aos educadores e a ilusão da neutralidade: a socialização do conhecimento científico é tarefa central na batalha pela hegemonia e pela emancipação da classe trabalhadora.

 

1. A Educação no capitalismo: a farsa da neutralidade, a ofensiva burguesa e a perseguição aos educadores

A ideologia dominante busca, por todos os meios, incutir no senso comum a tese de que a escola é um espaço neutro, um mero trampolim para o “sucesso individual” ou uma engrenagem de adaptação pacífica ao mercado de trabalho. Para o marxismo-leninismo, essa dita neutralidade é uma farsa. Na sociedade dividida em classes, a educação pública é um campo de batalha. Sob o capitalismo, o Estado burguês utiliza a estrutura escolar como aparelho ideológico destinado a reproduzir as relações de dominação e conformar os filhos e filhas do povo à exploração.

Nas últimas décadas, sob pretexto de “modernização” e “eficiência”, assistimos à implantação do gerencialismo empresarial no chão da escola, à proliferação de privatizações veladas e à imposição da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Essa política alinha-se rigorosamente à chamada “pedagogia das competências” e à instrumentalização técnico-pragmática do ensino. O objetivo da classe dominante é nítido: retirar da classe trabalhadora o direito de pensar criticamente o mundo, substituindo o estudo das ciências, da história, da filosofia e das artes por ilusões liberais como “empreendedorismo de si”, “projeto de vida” e adestramento comportamental prévio para o trabalho precarizado.

Essa ofensiva estrutural é acompanhada, inevitavelmente, por um brutal aparelho de contenção política. Para blindar o currículo burguês e sufocar qualquer fagulha de consciência crítica, as forças reacionárias e o Estado apelam para a perseguição sistemática, o assédio moral e a criminalização dos profissionais da educação. Sob discursos falaciosos como a “Escola sem Partido”, vigilância ostensiva, términos de requisição sem justificativa e processos administrativos disciplinares, tenta-se calar os educadores que se recusam a ser meros reprodutores da ideologia dominante. Persegue-se o professor que ensina a história das lutas populares, que discute a exploração de classe ou que expõe a ciência contra o obscurantismo. O objetivo dessa mordaça é espalhar o medo na categoria, impor a autocensura e desarticular a organização dos trabalhadores da educação.

 

2. O Resgate da Pedagogia Histórico-Crítica: Conhecimento Científico contra a Miséria Pedagógica

Diante dessa destruição programada e da repressão ideológica, a militância revolucionária não pode esmorecer nem recuar para teorias idealistas. A resposta da classe trabalhadora no campo da teoria pedagógica é a Pedagogia Histórico-Crítica (PHC), formulada pelo educador e filósofo marxista Dermeval Saviani no final da década de 1970.

Fundamentada rigorosamente no materialismo histórico-dialético e na psicologia histórico-cultural, a PHC demonstra que o psiquismo humano e as funções psicológicas superiores não nascem prontas no indivíduo, mas são construídos historicamente por meio da apropriação da cultura e dos saberes acumulados pela humanidade.

Fonte: Organização do Congresso (Peça gráfica desenvolvida pela designer Adalgiza Gonçalves Gobbi para o Congresso Dermeval Saviani e a pedagogia histórico-crítica: uma trajetória na educação brasileira). 

A PHC realiza um duplo combate: contra o construtivismo e pós-modernismo que esvaziam o conteúdo com o espontaneísmo do aprender a aprender. E contra as pedagogias crítico-reprodutivistas que só denunciam a escola como reprodutora, mas não a disputam como arena de luta.

Defender o acesso irrestrito do estudante trabalhador, da licenciatura ou da Educação de Jovens e Adultos (EJA), ao saber sistematizado não tem nada de elitista. Como nos ensina Saviani, o dominado não se liberta se não dominar o que o dominante domina. Socializar o conhecimento elaborado é romper o monopólio burguês da ciência e convertê-lo em arma da classe trabalhadora.

 

3. A PHC como disputa ideológica e consciência de classe

A apropriação da ciência e da cultura acumulada pela humanidade não é um fim em si mesmo, mas o meio indispensável para a elevação da consciência de classe. O método da PHC opera a partir de um movimento dialético em cinco etapas interligadas:

  • Prática Social Inicial:Ponto de partida comum entre professor e alunos, onde a realidade é vivenciada de forma empírica e
  • Problematização:Identificação das questões postas pela prática social que a mera experiência cotidiana não consegue explicar, exigindo o recurso à teoria.
  • Instrumentalização:Apropriação rigorosa das ferramentas teóricas, científicas e históricas acumuladas pela humanidade.
  • Catarse:O salto de qualidade na estrutura mental e política do estudante; a transformação da visão ingênua em uma síntese elaborada e articulada da realidade. O estudante entende que miséria, desemprego e fome não são “azar” ou “leis naturais”, mas resultado da exploração capitalista.
  • Prática Social Final:O retorno à realidade em um nível superior de síntese, em que o estudante se torna capaz de atuar de forma consciente, crítica e transformadora sobre o seu meio.

 

4. A academia e a escola como trincheiras

A disputa precisa ser em duas frentes. Na escola pública, inclusive na EJA, garantindo saber estruturado e resistindo à censura. Na academia e nas licenciaturas,  disputando contra modismos liberais e pós-modernos e fincando a formação no materialismo histórico-dialético.

 

5. Chamado à ação

A luta pela PHC não é debate abstrato. Para o MPR, é parte  da luta pelo Poder Popular e pela Revolução Socialista.

Convocamos militância, professores, estudantes de licenciatura, juventude trabalhadora e estudantes da EJA a transformar cada escola, universidade e sindicato em trincheira:

Construir redes de solidariedade aos perseguidos, transformando cada ato de censura burguesa em um polo de denúncia e agitação política;

Exigir a elaboração, o cumprimento e a avaliação de Projetos Políticos Pedagógicos, em cada unidade escolar, verdadeiramente democráticos, autônomos, territoriais e intersetoriais.

Reorganizar os sindicatos da educação e os grêmios estudantis, combatendo a cooptação reformista e colocando a defesa da autonomia pedagógica e da escola pública e científica no centro das pautas de luta;

Criar e apoiar grupos de práxis sobre a Pedagogia Histórico-Crítica, a Psicologia Histórico-Cultural e o Marxismo;

Enfrentar a BNCC, as privatizações e a mercantilização da educação.

 

O conhecimento científico pertence a quem tudo produz! Pela solidariedade aos educadores combatentes, pela socialização do saber e pela derrubada do modo de produção capitalista!

Trabalhadores da educação e estudantes de todo o mundo, uni-vos sob a bandeira da revolução socialista!

 

 

*Texto construído com a colaboração da/os camarada/s do  MPR (Movimento por um Partido Revolucionário): Juliana Dantas, Marco Aurélio Balsa do Rio e Sergio Perdigão.

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DIA DAS/OS PROFESSORAS/ES: o otimismo da vontade e a pedagogia da luta

Camaradas professoras e professores,

Hoje, mais do que uma data de celebração, o Dia das Professoras e dos Professores é um momento de afirmação política, reflexão crítica e fortalecimento da nossa unidade de classe.

À luz do materialismo histórico-dialético, compreendemos que a educação não flutua no vazio abstrato das ideias, tampouco é neutra. Ela é contradição pura: campo de disputa ideológica inserido nas relações sociais de produção. Se, por um lado, a estrutura capitalista tenta reduzir a escola a um balcão de negócios ou a um mero reprodutor da força de trabalho para o mercado, por outro, a prática pedagógica carrega o germe da emancipação.

Fundamentados na Pedagogia Histórico-Crítica, reafirmamos que o nosso compromisso ético e político é com a socialização do conhecimento elaborado, com a transmissão do conhecimento científico, da arte e da filosofia à classe trabalhadora. Garantir o acesso ao patrimônio cultural da humanidade para as filhas e os filhos da classe trabalhadora não é um mero dever burocrático; é um ato revolucionário de instrumentalização teórica e prática para a transformação da realidade.

“Pela educação não se transforma diretamente a sociedade, mas sem ela a sociedade não se transforma.” — Dermeval Saviani

Sabemos que exercer a docência crítica hoje significa estar na linha de frente de constantes ataques. Enfrentamos:

-A precarização do trabalho e o arrocho salarial;

-O avanço do obscurantismo e de projetos de censura nas salas de aula;

-As perseguições ideológicas que tentam amordaçar o pensamento livre e desmantelar a escola pública.

Esses ataques não são casuais. A força hegemônica persegue a docência justamente porque reconhece o potencial desmistificador do conhecimento científico e do pensamento crítico. Quando tentam nos silenciar, revelam o medo que têm de uma classe trabalhadora consciente de sua condição de sujeito histórico.

Diante da aridez do presente, recusamos o paralisante fatalismo burguês. Lembramos da lição gramsciana: contrapomos ao pessimismo da razão o otimismo da vontade. O pessimismo da razão nos permite enxergar a realidade sem ilusões, diagnosticando com precisão a força do inimigo e a complexidade da conjuntura. Mas é o otimismo da vontade que nos mobiliza, que alimenta a nossa práxis docente cotidiana e que nos faz erguer a cabeça em cada assembleia, em cada sala de aula e em cada trincheira de luta.

A resistência não é individual; ela é coletiva e organizada. A nossa maior defesa contra qualquer forma de perseguição é a solidariedade de classe, a união nos sindicatos, no partido revolucionário, nas redes de apoio e no trabalho ombro a ombro na escola.

Aos camaradas que, mesmo exaustos, não recuam na defesa da escola pública, laica, gratuita e socialmente referenciada: todo o nosso respeito, solidariedade e compromisso de luta. Nossa homenagem de hoje é a renovação do nosso compromisso de classe: continuar ensinando a ler a palavra e o mundo, desvelando as contradições do real para transformá-lo.

Viva as/os professoras/es em luta!

Professoras/es de todo o mundo, uni-vos!

Rio, 15 de outubro de 2026.

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​✨ EJA: ONDE A VOZ FALHADA VIRA GRITO ✨

por Roberto Brandão

​Quando a mão treme, o corpo canta;
quando a palavra falta, a mente se agiganta;
quando a memória falha, a música reconstrói;
quando a voz engasga, ouve-se o grito de herói.

​Nem o ruído de um país triste,
nem o sussurro da perseguição que insiste,
nem o estouro da boiada,
nem a escola será, para sempre maquiada.

​A EJA não é o lugar do silêncio em vão,
mas o diálogo em busca de emancipação.

 

​Educação não é favor. É direito, é reparação histórica e é, acima de tudo, revolução. Viva a resistência de cada estudante e educador da EJA! ✊

​#EducaçãoDeJovensEAdultos #EJA #PauloFreire #EducaçãoPopular #PoesiaEngajada #DermevalSaviani #DireitoÀEducação #EducaçãoParaDemocracia

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PERSEGUIDOS SIM, DERROTADOS NUNCA!

por Roberto Eduardo Albino Brandão

Sob a métrica fria da gestão “burrocrática”,

Transformam a escola em corporação.

Onde resistia a regra democrática,

Impera a lógica da submissão.

O aluno virou “cliente” ou “produto”,

O saber virou meta a bater,

E o pensar, que devia ser absoluto,

É o crime que tentam conter.

 

Querem mordaça na boca que ensina,

Querem a mente forjada no padrão.

Se a ciência desvela a ruína,

Chamam a educação crítica de “doutrinação”.

Perseguem a voz que acorda o casulo,

Vigiam o quadro, a conversa, o debate,

Tentando reduzir a zero o acúmulo

De quem contra a ignorância combate.

 

Capitão-do-mato perseguindo educador é censura.

Melhor ser educador revolucionário jogado no escanteio,

Do que ser gestor reprodutor da ditadura.

Quero ver ensinar afeto ao som de tiroteio.

 

Riscaram o teu nome da lista,

Tentaram amargar tua força docente,

Mas não se liquida a alma humanista

De quem faz da crítica a arma da gente.

Aos educadores que sofrem a mira do medo,

Que enfrentam o ódio vestindo coragem:

“O assédio sai, a trabalhadora fica” é o enredo,

Solidariedade é nossa blindagem.

 

Seguiremos em frente, de punho esquerdo cerrado,

Pois quem se educa COM o povo, jamais será derrotado.

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Acorda classe trabalhadora: estamos todos/as na mesma esteira. Qual máquina queremos estar?

Desenhei essa charge-denúncia:

As engrenagens do sistema capitalista

 A IA enviou essa:

As engrenagens do sistema capitalista

 

 Depois de algumas discussões:

 

Por fim, continuando a “brincadeira” com IA, avançamos no anúncio:

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PODE O PROFESSOR DA EJA FALAR? Dossiê sobre indícios de perseguição política (em construção)

O presente dossiê constitui um instrumento de denúncia e análise técnica acerca dos indícios de perseguição política e desvio de finalidade administrativa nos processos de interrupção da requisição do Professor Roberto Eduardo Albino Brandão junto à escolas da rede pública municipal da cidade do Rio de Janeiro. Esta compilação documental não relata apenas dois casos isolados de arbitrariedade burocrática, mas testemunha a resistência docente contra o silenciamento de construções coletivas e a imposição de modelos de gestão antidialógicos que ferem a autonomia pedagógica.

Baixe aqui a íntegra do dossiê: Dossiê_versao 13abr  (arquivo .pdf 3.56 MB)

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MÚSICA, MEMÓRIA E CONVERSA: Quando a EJA toca fundo

Tenho o imenso prazer em compartilhar esse importante livro eletrônico:

Livro musica memoria e conversa (3,17 MB)

  • Baixando o arquivo acima (em .pdf), você pode ouvir as músicas no YouTube, clicando em cima do título de cada música.
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RELATO DA PARTICIPAÇÃO DO PROF. ROBERTO BRANDÃO NA CLACSO 2025, REALIZADA NA CIDADE DE BOGOTÁ, COLÔMBIA, DE 9 A 12 DE JUNHO DE 2025

Foto: Protesto das mães que perderam seus filhos/as por conta da violência do Estado, primeiro dia da CLACSO 2025, Praça Ernesto Che Guevara – Universidad Nacional de Colombia,

O objetivo desse relato é dar satisfação a classe trabalhadora brasileira, da minha participação na X Conferência Latino-americana e Caribenha de Ciências Sociais (CLACSO 2025), a qual não tive nenhum apoio financeiro do Governo do Estado do Rio de Janeiro, tão pouco da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro.

Trata-se do maior encontro de ciências sociais e humanidades do mundo, cujo tema central foi “Horizontes e transformações para a igualdade: Democracias, resistências, comunidades, direitos e paz”. A CLACSO 2025 reuniu mais de 15.000 participantes de diversas partes do mundo, em mais de 1500 atividades, espalhadas em 25 locais diferentes. Foi cansativo ir de um lado para o outro, tentando abraçar o máximo de conhecimento possível. Diferente de outras edições, não houve credenciamento/crachá ou fornecimento de qualquer outro tipo de material. Todas as informações estavam contidas no site oficial, o que causou certa dificuldade nos momentos em que a internet não funcionou, principalmente para administrar os deslocamentos, seja a pé ou de táxi. Por outro lado, permitiu que qualquer pessoa pudesse participar, mesmo sem inscrição no evento.

Em minha participação, além de apresentar meu trabalho: “IMPACTOS DO PROCESSO DE NEOLIBERALIZAÇÃO, NO CONTEXTO DA INSERÇÃO DE QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL E ITINERÁRIOS FORMATIVOS, NO CURRÍCULO DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS”, priorizei as atividades relacionadas ao eixo temático: “direito à educação, políticas públicas e alternativas pedagógicas”, mas também participei dos grupos que discutiam “Ambiente, mudança climática, transições e desenvolvimento social” e “povos indígenas”, entre os 25 eixos temáticos propostos. Como era esperado para um evento desse porte (e relevância social), foi uma experiência bastante enriquecedora, com intercâmbio acadêmico, cultural e político, com pensadores de toda América Latina e Caribe. Abaixo, um resumo das principais observações/análises críticas/aprendizados:

1. Educação pública. Colombianos relatam “agressões as escolas públicas da Colômbia” (supressão de recursos públicos, precariedade das condições de educação inclusiva, decisão de suprimir o que é público, etc.), com o propósito de debilitar a função social da escola. Nessa discussão, penso que foi consenso que nosso maior desafio hoje é impedir o avanço da privatização da educação, em especial a plataformatização da educação. Foi elogiado o sistema de controle brasileiro de custo por estudante, embora eu não tenha entendido o argumento. Fiz algumas intervenções no sentido de pensar se é possível uma luta pelo direito a educação sem uma luta anticapitalista, e percebi que não houve consenso, embora a ampla maioria avalia que não é possível. Inclusive uma brasileira fala em “capitalismo selvagem”, passando a ideia de que há um “capitalismo humanizado”, e não a essência do capitalismo que é a luta de classes.

2. Movimento sindical. Até onde acompanhei, as discussões giram entorno dos impactos do neoliberalismo, principalmente no “desfinanciamento” da educação, e consequentemente ameaça aos 60% de gastos com trabalhadores da educação. Fiz uma intervenção no sentido de pensar se é possível uma luta sindical sem uma luta anticapitalista, utilizando como exemplo o caso do atual técnico da seleção brasileira de futebol, que ganha 5,3 milhões de reais por mês. Percebi que a mesa (5 pessoas) ficou em silêncio, com exceção da representante do movimento #PorlaPública (parece ter relação com a CNTE no Brasil), a qual não só endossou a ideia de que não é possível, mas também reforçou o caráter internacionalista na busca em globalizar a luta por justiça e igualdade. Houve menções e apoio a causas importantes, como a solidariedade ao povo palestino.

3. Povos indígenas. Uma pesquisadora mexicana relata experiência exitosa de uma universidade indígena, e quanto essa instituição tem impactado a vida dos jovens XHIDZA. Por tudo que assisti, a semelhança da educação especial, tenho a impressão (empiria) de que os/as indígenas latino-americanos/as e caribenhos/as, mais de que uma educação decolonial e comprometida com os saberes tradicionais, desejam uma formação com bases em sua auto determinação, dentro dos seus próprios territórios.

4. Mudança Climática. Participei de uma mesa sobre educação ambiental crítica e conheci um biólogo colombiano, onde conversei longamente com ele sobre o contexto histórico ambientalista. Há acordo de que o limite do capitalismo é o ambiente, porém minhas impressões são de que, mesmo entre os educadores ambientais, que se dizem críticos, eles avaliam que é possível atuar nas “brechas” do sistema capital e promover “mudanças ambientais significativas”. Pontuei que a velocidade com que nossos companheiros promovem a consciência crítica da classe trabalhadora é infinitamente menor do que as decisões da classe dominante, sobretudo na carbonização do planeta. Ou seja, de que adianta investir em “teto verde”, por exemplo, para atenuar o desconforto climático, se uma simples decisão (imperialista) desacelera a luta por justiça climática mundial, e ameaça a vida planetária? A história da luta por justiça ambiental e social é a história da luta de classes. Por isso, renova-se a importância de se discutir “politicamente” esse tema nos espaços formais, informais e não formais de educação, para além das aulas de ciências e biologia.

Por fim, não foi possível participar do Painel 266: Reimaginando o futuro da esquerda na América, pertencente ao Eixo 15: Movimentos sociais, ativismo e subjetividades políticas. Porém, reproduzo aqui o texto fruto das discussões coletivas pré-CLACSO, o qual tenho concordância na denúncia, embora não explicita claramente o horizonte socialista no anúncio:

“A América Latina está em uma encruzilhada. O caminho a seguir como região (para o bem ou para o mal) não é definido, mas é disputado. Em um extremo está a opção distópica de avançar na necropolítica e a consolidação de um (narco)neoliberalismo autoritário. Por outro lado – talvez um caminho mais utópico hoje do que em qualquer outro momento – a entrada em uma segunda onda de governos progressistas, nacional-populares, de esquerda, capazes de retomar o caminho da construção da sociedade do bem viver, de viver “saboroso”, de viver com dignidade. No plano geopolítico, estamos testemunhando uma crise hegemônica que, ligada à crise do capitalismo, afunda suas raízes tão profundamente que até mesmo o casamento entre neoliberalismo e democracia representativa, antes tão frutífero, se torna cada vez mais insustentável. Como nos anos setenta, parece que hoje estamos entrando em um ciclo perverso de recessão econômica, hiperconcentração de riqueza social e cerco de democracias. As economias do Sul global o vivenciam com suas próprias particularidades. Na região, a crise e sua transição se expressam em força de trabalho precária e vidas precárias. Os processos de desindustrialização aumentam o exército de reserva, que se apresenta com tristes opções: a. tornar-se auto-explorado, integrando o grupo de trabalhadores expropriados de seu tempo por meio de plataformas digitais ou trabalho comercial ou serviços de rua; b. fazer parte do grupo explorado pelo modelo de exportação de trabalho desencarnado nos pseudo-processos de industrialização (maquilas) que chegam com grande parte do investimento estrangeiro direto; c. Tornar-se trabalhador da indústria do tráfico de drogas ou do crime organizado; d. migrar diretamente; ou, por exemplo, “simplesmente” implorando. Mas os cidadãos desta parte do mundo não ficam parados e resistem de maneiras criativas. Uma visão estruturalista e determinista diria que o sistema molda as condições de nossos povos, e é difícil fazer qualquer coisa para mudá-las. Isso é um erro. A ideologia e sua implementação política são importantes, e é provavelmente a melhor política anticíclica que a região tem. De fato, é evidente que há uma clara diferença na economia política redistributiva dependendo se o signo de governo é neoliberal ou popular-nacional. Os primeiros têm padrões de comportamento pró-cíclicos: seguindo a direção da economia mundial, reproduzem a desigualdade e concentram recursos no 1% mais rico em detrimento da grande maioria.”

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CHAPA 6 É OPOSIÇÃO DE COMBATE PELA BASE

por Roberto Eduardo Albino Brandão

Independente de partidos e governos

Chapa 6 é comunidade escolar em atividade

É a base organizada e combativa em um só plano

Chapa 6 é oposição de combate pela base

 

Com punhos esquerdos cerrados e voz que bate forte na opressão

Unidos em laços que o tempo hegemônico não consome

Seguimos na luta, rompendo a alienação

Camaradas do SEPE, bravos de nome

 

Chapa 6 é sindicato presente na vida escolar

Podemos ser meia dúzia de gatas/os abnegadas/os

Chapa 6 é vontade incansável de ser mais solar

Chamamento à unidade na diversidade comungadas/os

 

No peito arde a chama da educação com justiça social

Ombro a ombro marchamos, sem vacilar

Nos olhos, a esperança de um futuro mais leal

Por direitos e respeito, vamos lutar

 

Dentro e fora das salas de aula, na conscientização

Palestina livre, do rio ao mar

Nossa força reside na união, na ação

Construímos juntos a história popular

 

Chapa 6 é ter com quem contar

Na denúncia e no anúncio, com as armas da crítica

Chapa 6 é o SEPE no tempo de esperançar

Com a garra que move a luta política

 

Se o salário é baixo e a justiça é burguesa

A consciência de classe deve ser gigante

Cambatividade é nossa essência

Pedagogia do exemplo radiante

 

Solidariedade classista é nossa práxis didática

Passos largos em consolidação

Que a vitória seja a canção final, empática

Por um SEPE-RJ rumo ao horizonte revolução

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ACOLHENDO E SENDO ACOLHIDO PELA EJA: EM CADA ROSTO, UMA HISTÓRIA

por Roberto Eduardo Albino Brandão

 

Em cada rosto, uma história

Em cada olhar, uma canção

Guerreiras da vida, fortes, vitoriosas

Na luta, o direito a educação

 

Dedicadas, justas, perseverantes

As mestras que aprendem e ensinam com amor

Na lousa da vida, a lição constante

No livro do saber, nosso valor comum

 

Não se iluda com a aparência

A sabedoria não tem idade, gênero, cor

A mente que aprende, a alma que experiencia

Na busca do conhecimento, a verdade

 

Com serenidade, o idoso observa

Nem bobo, nem perfeccionista

Simplesmente atento, maravilhoso, verdadeiro

Para além da escolarização, a sabedoria perfeita

 

A adulta, com sua garra

Respeitosa, amiga, leal

Na voz, a experiência que narra

Com razão, a sabedoria ancestral

 

Com passos firmes, a jovem caminha

No coração, a chama da paixão

Vencedora, objetiva, nunca sozinha

Na bagagem, a certeza e a dúvida

 

Perfeccionista, orgulhosa, vívida

Na alma, a marca da luta

Revolucionária, pacifista, destemida

Na força da mulher, a conduta

 

Conquistadora de sonhos

Na educação, a arma da transformação

Com conhecimento e empenho

Constrói o futuro da nação

 

Que as escolas de EJA sejam nosso farol

A guiar cada jovem, adulto e idoso

Na busca por um futuro melhor

Onde a educação seja nosso culto

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